Presidente do TRE-MT destaca investimentos para garantir o voto indígena
A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, recebeu, nesta quinta-feira (15.10), em seu gabinete, a deputada federal eleita Rosa Neide e o deputado estadual reeleito Valdir Barranco para discutir o transporte de eleitores indígenas e de comunidades rurais no segundo turno das Eleições Gerais de 2026.
Durante o encontro, a magistrada apresentou um balanço dos investimentos e das operações realizadas pela Justiça Eleitoral para garantir o acesso ao voto no primeiro turno, destacando que a abstenção entre os indígenas foi de 21,43%.
A reunião permitiu avaliar as dificuldades enfrentadas por comunidades localizadas em regiões de difícil acesso e discutir medidas para aperfeiçoar o transporte no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A presidente destacou que o Tribunal realizou um amplo planejamento logístico, com investimentos de aproximadamente R$ 1,45 milhão somente na operação destinada ao atendimento do eleitorado indígena, mobilizando aeronaves, embarcações, veículos terrestres, forças de segurança e equipes de apoio.
"Eu quero que todo mundo compareça livremente, com segurança, alimentado e respeitando a sua cultura", afirmou a desembargadora Serly Marcondes, ao ressaltar que o planejamento da Justiça Eleitoral considera não apenas as dificuldades geográficas de Mato Grosso, mas também as particularidades culturais e as necessidades de cada comunidade.
Um dos principais resultados apresentados pela presidente foi o índice de comparecimento dos povos indígenas no primeiro turno. Segundo os dados expostos durante a reunião, 14.812 eleitores indígenas compareceram às urnas, com taxa de abstenção de 21,43%. Para a presidente, os números demonstram a importância do planejamento realizado pelo Tribunal e da articulação com instituições parceiras para superar as barreiras de acesso ao voto em um estado de dimensões continentais.
A magistrada explicou que o TRE-MT promoveu mudanças importantes na organização do transporte, especialmente em regiões com grande concentração de comunidades indígenas. Em Campinápolis, por exemplo, a Justiça Eleitoral ouviu representantes do povo Xavante, revisou trajetos e buscou substituir veículos abertos por ônibus, oferecendo melhores condições de segurança e dignidade.
"Modificamos as rotas, retiramos carros abertos, que eu não queria que indígena fosse levado sem a devida segurança", destacou a presidente, ao explicar que a medida foi resultado de reuniões com representantes indígenas e magistrados responsáveis pela organização das eleições na região. Segundo Serly Marcondes, o reconhecimento das particularidades de cada povo foi uma das prioridades da gestão. Ela relatou que representantes indígenas chegaram a agradecer pelas mudanças, destacando que haviam sido ouvidos durante o planejamento eleitoral.
Investimento de R$ 1,45 milhão e operação logística de grandes proporções
Durante a reunião, a presidente detalhou a estrutura mobilizada para assegurar o funcionamento da votação em aldeias e localidades isoladas. De acordo com o balanço apresentado, o investimento no atendimento ao eleitorado indígena alcançou R$ 1.450.007,79 no primeiro turno, abrangendo transporte, alimentação, infraestrutura, combustível e suporte às equipes que atuaram nas operações.
A estrutura contou com oito aviões e cinco helicópteros, sendo dois do Exército Brasileiro, dois da Polícia Militar e um da Polícia Federal. As aeronaves integraram a operação de transporte de urnas eletrônicas, profissionais, equipamentos e suprimentos, além de oferecer suporte para eventuais emergências.
Somente no primeiro turno, o abastecimento da operação contabilizou 12.572,50 litros de combustível. A previsão apresentada durante o encontro é de que o volume acumulado possa chegar a aproximadamente 24 mil litros ao final do segundo turno.
A presidente também destacou a articulação com o Exército, a Marinha e as forças de segurança para atender áreas como o Xingu, São Félix do Araguaia e a região norte de Mato Grosso, onde grandes distâncias e dificuldades de comunicação exigem planejamento diferenciado.
A mobilização integra um conjunto de ações preparadas com antecedência pelo TRE-MT, que também envolveu reuniões com comunidades indígenas, magistrados, gestores municipais e instituições parceiras.
Parlamentares reconhecem trabalho do TRE-MT e apresentam demandas
Durante o encontro, a deputada federal eleita Rosa Neide reconheceu o esforço de comunicação e organização da Justiça Eleitoral no primeiro turno e ressaltou a importância de manter a mobilização para a segunda votação.
A parlamentar apresentou relatos recebidos de comunidades indígenas e rurais sobre dificuldades de deslocamento, incluindo situações em que eleitores precisaram percorrer grandes distâncias para chegar às seções eleitorais. Também solicitou atenção especial à divulgação dos horários e itinerários do transporte, de maneira que as informações cheguem efetivamente às aldeias e às comunidades mais afastadas.
Rosa Neide mencionou a situação de indígenas que atualmente residem na área urbana de municípios, mas continuam votando em aldeias da região. Segundo ela, houve pedidos para que esses eleitores possam utilizar os veículos que fazem o transporte eleitoral até as comunidades onde estão registrados. "São as nossas preocupações que a gente vai dividir aqui com vocês, para a gente ter um segundo turno nas condições necessárias para que a democracia realmente no nosso estado seja garantida", afirmou Rosa Neide.
O deputado estadual reeleito Valdir Barranco destacou o comprometimento dos povos indígenas com o exercício da cidadania e a necessidade de assegurar condições materiais para que todos possam comparecer às urnas.
"Se depender deles, eles não ficam sem votar", afirmou Barranco, ao explicar que, em determinadas situações, as dificuldades de transporte acabam impedindo o comparecimento de pessoas que desejam participar do processo eleitoral.
Os representantes também apresentaram preocupações relacionadas ao transporte de moradores de assentamentos rurais e comunidades de agricultura familiar, especialmente nos municípios de Água Boa, Nova Nazaré e Cocalinho.
Assessoria/Daniel Dino/Caminho Político
Foto: Josi Dias | TJMT e Ascom/TRE-MT
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