ONU pede acesso a Gaza para apurar se houve crimes de guerra
Organização quer que Israel permita a entrada de investigadores internacionais para preservar provas e identificar vítimas encontradas sob os escombros. Estima-se que mais de 8 mil pessoas sigam desaparecidas. A ONU pediu que Israel permita a entrada de investigadores internacionais na Faixa de Gaza para coletar provas de possíveis violações dos direitos humanos após quase três anos de guerra, diante da descoberta de centenas de corpos sob os escombros e do temor de que milhares de vítimas ainda permaneçam soterradas.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (15/09), o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, defendeu a preservação de provas e a documentação das vítimas encontradas em áreas destruídas pelos bombardeios.
"Devem ser enviados todos os esforços possíveis para documentar e identificar essas vítimas, preservar as informações forenses e as amostras biológicas, registrar os locais onde estão enterradas e informar suas famílias", afirmou.
Segundo a Defesa Civil Palestina, mais de 630 corpos e outros restos mortais foram recuperados sob edifícios destruídos em Gaza entre novembro de 2025 e setembro de 2026. As autoridades estimam, porém, que mais de 8 mil pessoas ainda estejam desaparecidas sob os escombros. O conflito teve início após militantes do Hamas invadirem Israel e deixarem centenas de mortos e feridos, em 7 de outubro de 2023.
Risco de perda de provas
Türk afirmou temer que os corpos encontrados até agora representem apenas uma fração do total de vítimas.
"Preocupa-me que os restos mortais recuperados até agora sejam apenas a ponta do iceberg", disse. Segundo ele, áreas de Gaza onde tropas israelenses permanecem posicionadas continuam sendo niveladas por escavadeiras, "sem qualquer respeito pelos mortos que permanecem sob os escombros".
O chefe do escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinos, Ajith Sanghai, afirmou que as ações de Israel tornam "praticamente impossível qualquer esforço sistemático e em grande escala de busca, recuperação e identificação".
Sanghai acusou militares israelenses de triturar escombros que contêm restos humanos e, ao mesmo tempo, impedir a entrada de máquinas pesadas e de equipes especializadas necessárias para operações de resgate em larga escala.
Segundo ele, Israel também bloqueia a entrada de equipamentos forenses e de identificação, dificultando que famílias reconheçam os restos mortais de parentes desaparecidos.
"Existe o risco de que se percam provas necessárias para garantir que todos os responsáveis por crimes atrozes prestem contas e de que se prolongue o sofrimento de milhares de famílias que já vivem em um estado permanente de medo, insegurança e necessidade", afirmou.
De acordo com Sanghai, no ritmo atual seriam necessários cerca de dez anos para concluir a recuperação dos corpos, sem considerar o tempo adicional exigido para a identificação das vítimas.
gq/md (DW, EFE)Caminho Político
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