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Mistério da aviadora Amelia Earhart pode estar perto do fim

Publicado em 13/10/2026 15:12
Mistério da aviadora Amelia Earhart pode estar perto do fim

Imagens de satélite revelaram formação misteriosa que pode ser a chave para desvendar um dos maiores enigmas da história da aviação, ocorrido há quase 90 anos. Uma equipe de pesquisadores da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, e do Instituto do Legado Arqueológico chegou nesta segunda-feira (12/10) à ilha desabitada de Nikumaroro, no Oceano Pacífico, em busca de pistas sobre o desaparecimento da aviadora americana Amelia Earhart, ocorrido há quase 90 anos. O grupo pretende investigar uma formação misteriosa detectada em imagens de satélite que pode corresponder aos destroços de seu avião.
Earhart desapareceu em julho de 1937, ao lado de seu navegador, Fred Noonan, durante uma tentativa de se tornar a primeira mulher a dar a volta ao mundo de avião pela linha do Equador. Seu desaparecimento permanece sem explicação quase nove décadas depois.
A aviadora já era uma das figuras mais célebres da época. Em 1932, havia se tornado a primeira mulher a atravessar sozinha o Atlântico de avião, um feito que a transformou em símbolo da presença feminina em uma atividade até então dominada por homens.
Às vésperas do 90º aniversário de seu desaparecimento, os pesquisadores acreditam ter em mãos uma nova evidência crucial para esclarecer o que aconteceu na imensidão do Pacífico.
A participação da Universidade Purdue tem uma ligação histórica com a aviadora. Earhart trabalhou na instituição a partir de 1935 como orientadora de carreiras para mulheres e consultora técnica em aeronáutica. A fundação de pesquisa da universidade também ajudou a financiar a compra do Lockheed Electra usado em seu último voo.
Parte de Kiribati, país insular de baixa altitude no Pacífico, Nikumaroro é considerada há muito tempo um possível local da morte de Earhart e Noonan. A dupla decolou da Nova Guiné em 2 de julho de 1937, com destino à ilha Howland, onde deveria reabastecer antes de seguir para o Havaí e concluir a volta ao mundo na Califórnia.
Algo, porém, deu errado durante o trajeto. Embora um navio da Guarda Costeira dos Estados Unidos tenha conseguido captar as transmissões de rádio de Earhart, indicando que seu Lockheed Electra provavelmente estava muito próximo, a aviadora nunca foi encontrada.
Numa de suas últimas mensagens, Earhart informou que seguia uma linha de navegação no sentido norte-sul, que lhe oferecia a melhor chance de encontrar terra firme antes que o combustível acabasse. Essa linha passava por Nikumaroro.
Pouso sobre um recife de coral
Em 1988, pesquisadores do Grupo Internacional para Recuperação de Aeronaves Históricas (Tighar, na sigla em inglês) foram os primeiros a sugerir que Earhart poderia ter chegado a Nikumaroro e pousado sobre o recife de coral que contorna a ilha.
A primeira visita do Tighar à ilha ocorreu em 1989. Desde então, o grupo retornou outras sete vezes e encontrou objetos que, segundo os pesquisadores, reforçam a hipótese, entre eles fragmentos de alumínio de aeronaves e de acrílico usado em para-brisas.
O grupo também encontrou um frasco de perfume, um zíper fabricado na Pensilvânia em meados da década de 1930, partes de um canivete da mesma marca de um modelo listado no inventário do avião e o salto de um sapato feminino.
Pesquisas em arquivos revelaram ainda que restos mortais humanos encontrados na ilha em 1940 foram inicialmente considerados como possivelmente pertencentes a Earhart ou Noonan. Os ossos, porém, desapareceram em meio ao caos da guerra no Pacífico.
Apesar das buscas, ninguém encontrou até hoje uma prova definitiva, ou seja, um objeto que só pudesse ter se originado daquele voo.
Imagens de satélite renovam esperanças
O líder da expedição, Rick Pettigrew, diretor-executivo do Instituto do Legado Arqueológico, acredita que a ação da natureza pode ter revelado uma evidência irrefutável.
Um poderoso ciclone tropical atravessou o Pacífico central em 2015, alterando características geográficas da ilha e de sua lagoa. Imagens de satélite registradas nos anos seguintes mostraram o que poderia ser o contorno da fuselagem e das asas de uma aeronave em águas rasas próximas ao promontório de Taraia.
"Esse objeto nas imagens de satélite tem exatamente o tamanho esperado para a fuselagem e a cauda do Electra", afirma o site do instituto. "Ele também parece refletir bastante a luz e provavelmente é metálico. Está em águas muito rasas, em grande parte coberto por sedimentos, num local para onde a correnteza levaria um objeto que entrasse flutuando na lagoa pela passagem de Tatiman, que liga o oceano à lagoa através do recife."
A equipe de Pettigrew, formada por 17 pessoas, pretende concentrar todos os esforços no local onde as imagens indicam a possível presença de destroços. Para isso, utilizará fotografias feitas por drones, técnicas de sensoriamento remoto com magnetômetros e equipamentos de sonar. Se os resultados iniciais forem positivos, uma draga hidráulica será usada para remover os sedimentos.
"Assim que conseguirmos expor uma parte suficiente do objeto, deveremos ser capazes de identificá-lo", afirma o plano da expedição. "Se ele for feito de alumínio aeronáutico e apresentar o formato específico e os padrões de rebites do Electra, saberemos que encontramos os destroços do avião de Earhart."
Em busca de uma prova definitiva
Grande parte da teoria do Instituto do Legado Arqueológico se baseia nas pesquisas e no trabalho de campo realizados pelo Grupo Internacional para Recuperação de Aeronaves Históricas. Seu diretor-executivo, Ric Gillespie, porém, não está convencido de que os pesquisadores encontrarão a prova definitiva que procuram.
"O objeto visível nas antigas imagens de satélite, que Pettigrew acredita ser parte dos destroços do avião, não se parece com destroços de uma aeronave", disse Gillespie à DW. "Parece um pândano morto, arrancado pela raiz durante uma tempestade e levado pelas águas até Taraia."
"Pettigrew acredita que os destroços não estão mais visíveis porque foram soterrados pelo lodo", observou Gillespie. "Ele nunca esteve naquele local e não entende que a camada de lodo ali tem apenas alguns centímetros de profundidade."
Segundo Gillespie, equipes vasculharam a mesma área em 2001 e 2007 com detectores de metais, mas não encontraram nada. Ainda assim, ele continua convencido de que Earhart chegou a Nikumaroro.
"Acho que o avião afundou imediatamente depois de ser arrastado pelas águas para além da borda do recife e se despedaçou com a força das ondas", afirmou. "Os principais componentes acabaram soterrados por deslizamentos submarinos [...] ou recobertos por corais. Já encontramos tudo o que havia para encontrar."
A especialista Dorothy Cochrane acompanhou por mais de 35 anos os avanços das buscas por Earhart como curadora do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian, em Washington, e continua acompanhando o caso mesmo após sua recente aposentadoria.
Segundo ela, Earhart ainda desperta tanto fascínio porque seu desaparecimento é "o maior mistério não solucionado do século 20, que se estende pelo século 21".
Uma hipótese alternativa
Cochrane tem uma visão diferente do que aconteceu em 1937. Ela argumenta que, se Earhart já estava quase sem combustível quando se encontrava nas proximidades de Howland, teria sido impossível percorrer outros 640 quilômetros até Nikumaroro.
A pesquisadora também afirma que os objetos apresentados como possíveis vestígios da presença de um náufrago na ilha podem ser explicados pela passagem de outros visitantes e pela existência de um pequeno povoado que funcionou ali durante vários anos.
"Acredito que Earhart e Noonan estavam nas proximidades da ilha Howland, com base nos fatos conhecidos sobre o voo, mas simplesmente não conseguiram encontrá-la antes que o combustível acabasse", afirmou.
"Howland era um pontinho minúsculo sob a luz da manhã, em meio à imensidão do oceano", disse Cochrane, sugerindo que Earhart não conseguiu estabelecer contato por rádio para receber orientações que a guiassem nos últimos quilômetros até seu destino.
Cochrane acredita que o Electra esteja no fundo do mar, perto de Howland. Outros pesquisadores já defenderam essa teoria, e várias buscas foram realizadas na região nos últimos anos.
Se a pista investigada por Pettigrew se confirmar, porém, ela poderá encerrar um dos maiores enigmas da aviação, que persiste há quase 90 anos.
Assessoria/Julian Ryall/Caminho Político
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