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Flávio conquista apoio e vai buscar alianças

Publicado em 06/10/2026 05:42
Flávio conquista apoio e vai buscar alianças

A diferença, inferior a dois pontos percentuais, na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro turno, abriu uma nova disputa pela transferência dos votos dos candidatos que ficaram pelo caminho. Entre eles estão Ronaldo Caiado (PSD-GO), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
Nos bastidores, interlocutores da campanha de Flávio afirmam ao Correio que a busca por alianças será uma das prioridades ao longo desta semana. A equipe também trabalha para ampliar a presença dele em eventos públicos, com uma agenda de carreatas e motociatas inspirada na estratégia utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro(PL).
A intenção é fazer uma campanha mais presente nas ruas durante as três semanas que antecedem a votação de 25 de outubro. A avaliação dentro do grupo é de que a mobilização precisa alcançar diferentes regiões.
A aproximação com os candidatos derrotados ocorre em ritmos diferentes. Nessa segunda-feira, Zema declarou apoiar Flávio. "Não vou me omitir nem ficar em cima do muro nesse momento tão importante. Voto contra o PT. Voto no Flávio Bolsonaro. O Brasil não aguenta mais quatro anos de Lula, nem mais quatro ministros nomeados pelo Lula. Estamos juntos no dia 25", afirmou.
Caiado, por sua vez, deve oficializar hoje, em Goiânia, o apoio a Flávio. O PSD, porém, decidiu permanecer neutro nacionalmente e liberou seus diretórios estaduais para definir individualmente quem apoiar. Já Cury e Renan Santos mantiveram, inicialmente, uma posição de não declarar apoio a nenhum dos dois candidatos. Renan afirmou que não apoiará Lula nem Flávio.
Outra frente está no Centrão. PP e União Brasil caminham para apoiar Flávio e devem discutir formalmente a posição hoje. Como as duas legendas integram uma federação partidária, a decisão precisa ser tomada em conjunto. O movimento é acompanhado de perto pela campanha porque amplia o apoio partidário em torno do candidato do PL e pode ter reflexos também na formação de uma eventual base no Congresso.
A força que o PL conquistou no Legislativo é, inclusive, um dos argumentos utilizados por Flávio nesta nova etapa. O partido elegeu 121 deputados federais e 19 senadores, e o candidato passou a apresentar o resultado como sinal de que teria condições de dialogar com o Congresso caso seja eleito.
"O Legislativo federal está configurado para um presidente como Flávio Bolsonaro", escreveu nas redes sociais. Ao defender uma atuação conjunta entre União, estados e municípios, afirmou: "Faço o compromisso de sempre colocar o povo acima de qualquer questão partidária, pois, por exemplo, o combate efetivo ao narcoterrorismo tem que ser feito em conjunto com governadores e prefeitos".
A composição, no entanto, não garante maioria automática ao PL. União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB continuarão tendo peso nas negociações do Legislativo.
É nesse cenário que entra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Reeleito para comandar o estado, com 62,65% dos votos válidos, ele se reunirá com Flávio para discutir a campanha. 
A participação do governador deverá ir além do apoio público. Segundo um integrante de sua equipe ouvido pelo Correio, Tarcísio pode ceder integrantes de sua estrutura para a mobilização. A atuação também pode alcançar a articulação partidária. O governador afirmou, nessa segunda-feira, que trabalhará para que o Republicanos apoie Flávio. A legenda, contudo, ainda convive com posições diferentes entre suas principais lideranças. O governador defende publicamente o candidato do PL, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou apoio a Lula.
A articulação política também ganhou um novo personagem. O ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou apoio a Flávio no segundo turno. Em publicação nas redes sociais, afirmou que a sociedade quer "novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente" e concluiu: "E reconexão é Flávio".
Nada ganho
Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho afirmou que a população brasileira vê no partido uma esperança para o país depois de “mais de 20 anos de PT”. "Nós sabemos que não há nada ganho ainda. Nós estamos confiantes, como estávamos no primeiro turno, mas entendendo que é necessário agora atrair aqueles que não votaram em nós no primeiro turno”, afirmou, em entrevista coletiva.
De acordo com ele, a agenda de ontem foi focada em conversas com os parlamentares, para mostrar a importância da campanha nas próximas três semanas. Conforme Marinho, a campanha pretende trazer para o seu lado partidos do Centrão, como PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, que no primeiro turno preferiram não apoiar nenhum candidato.
“Há uma onda muito positiva de partidos políticos, entidades, associações e grupos organizados da sociedade que têm procurado o Flávio”, comentou.
Assessoria/ Danandra Rocha e Maria Beatriz Giusti/Caminho Político
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