Embate religioso mobiliza time de Lula, que fala em ‘milagre da Santa’
“Tanto esforço para recuperar esta eleição e quem vai fazer esse milagre é a santa”. Foi com essa frase que uma roda de petistas caiu na risada nos corredores do jantar com empresários organizado em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sexta-feira (25), em São Paulo.
A piada, que circulou em uma sala vip que abrigava autoridades no evento, pretendia descontrair o ambiente diante da evidente preocupação com o desempenho de Flávio Bolsonaro. Mas, brincadeiras à parte, a fala resume bem a relevância que o assunto ganhou na estratégia desenhada pelo time petista para a reta final deste primeiro turno.
Mesmo desmentida, a fake news segundo a qual Flávio Bolsonaro poderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil ajudou o PT a reforçar o embate religioso e mirar o voto católico, na tentativa de estancar o crescimento do senador.
O confronto ganhou novos capítulos durante o fim de semana. Neste domingo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, derrubou uma decisão do ministro André Mendonça, que havia ordenado a remoção de uma postagem do humorista Antonio Tabet que abordava o suposto ataque a Nossa Senhora Aparecida.
Ao criticar o que chamou de “canetada” de Dino, Flávio Bolsonaro afirmou que o ministro do Supremo liberou a “liga da mentira do PT”, que, segundo ele, esteve por trás do que chamou de “maior fake News da campanha”. Flávio afirmou que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasi (CNBB) teria ajudado na disseminação de postagens sobre a notícia falsa.
A fala gerou mais reações no campo governista. O ministro da AGU, Jorge Messias, que é evangélico e participa ativamente do diálogo do governo com religiosos, foi para as redes e disse expressar “total solidariedade à CNBB, diante dos ataques e agressões”.
A própria CNBB também rebateu a fala. “Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”, afirmou em nota.
Assessoria/Clarissa Oliveira/Caminho Político
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