Eleições 2026 | Flávio Bolsonaro, o candidato em nome do pai
Flávio Nantes Bolsonaro, de 45 anos, é senador pelo Rio de Janeiro e candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República nas eleições de 2026. Nascido em 30 de abril de 1981, em Resende (RJ), é advogado, empresário e o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sua trajetória política começou no Rio de Janeiro. Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2002, permaneceu por quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa fluminense. Em 2018, na mesma eleição que levou seu pai à Presidência, conquistou uma vaga no Senado. Na Casa, concentrou parte de sua atuação em temas relacionados à segurança pública e, em 2025, assumiu a presidência da Comissão de Segurança Pública.
Um dos episódios mais controversos de sua trajetória é o chamado caso das “rachadinhas” , relacionado ao período em que era deputado estadual. Em 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Flávio, seu ex-assessor Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas, sob a acusação de participação em um esquema de recolhimento de parte dos salários de funcionários de seu gabinete. Flávio sempre negou as acusações.
O processo não resultou em julgamento sobre a responsabilidade do senador. Decisões judiciais anularam provas consideradas importantes para a acusação e, em 2022, o Ministério Público pediu a rejeição da denúncia diante da impossibilidade de utilização desses elementos. O Tribunal de Justiça do Rio encerrou o processo. Assim, Flávio não foi condenado, e não houve julgamento do mérito das acusações.
Integrante do núcleo político mais próximo de Jair Bolsonaro, Flávio tornou-se uma das principais vozes do bolsonarismo no Congresso e foi escolhido para representar o grupo político do ex-presidente na disputa pelo Planalto. Sua candidatura foi oficializada pelo PL em 2026, com o desafio de preservar a base eleitoral construída pelo pai e, ao mesmo tempo, ampliar sua votação entre setores menos identificados com o bolsonarismo.
A pré-campanha, porém, enfrentou uma de suas principais crises com o episódio envolvendo “Dark Horse” , filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio confirmou ter solicitado recursos ao então banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar a produção. Segundo informações reveladas pela imprensa, Vorcaro repassou R$ 61 milhões ao projeto, e um áudio registrou Flávio cobrando novos recursos. O senador negou ter oferecido qualquer contrapartida ao banqueiro e sustenta que se tratava de uma relação privada de financiamento da obra.
Outro desafio surgiu dentro da própria família Bolsonaro. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro , presidente do PL Mulher, acusou publicamente Flávio de tê-la desrespeitado e maltratado durante uma discussão sobre articulações políticas no Ceará. O episódio aprofundou divergências entre os dois e colocou em dúvida a participação de Michelle na campanha do enteado. A questão ganhou peso adicional porque ela era considerada uma das principais pontes da candidatura com o eleitorado feminino e evangélico. Flávio posteriormente reconheceu a importância do trabalho da madrasta no PL Mulher. No lançamento da campanha em julho, Michelle divulgou um vídeo de apoio ao candidato, o que, pelo menos oficialmente, dá a questão por encerrada.
A relação com o eleitorado feminino, por sinal, é um dos pontos de atenção da candidatura. Flávio chegou a defender publicamente a escolha de uma mulher para a Vice-Presidência e buscou nomes de outros partidos, numa tentativa de ampliar a composição política e a presença feminina na chapa. A articulação não prosperou. Com PP, União Brasil e Republicanos evitando um apoio nacional à candidatura, o PL acabou optando por uma chapa formada dentro do próprio partido, com o deputado Alfredo Gaspar como candidato a vice. Flávio atribuiu a mudança, entre outros fatores, à dificuldade de obter apoio das cúpulas dos partidos de centro.
A formação da chapa expôs uma dificuldade mais ampla: transformar a força eleitoral do bolsonarismo em uma coalizão partidária nacional. Lideranças importantes do Centrão evitaram aderir formalmente à candidatura, enquanto diferentes partidos privilegiaram acordos estaduais ou a neutralidade na disputa presidencial. Já durante a campanha, a ausência de lideranças locais em alguns eventos continuou evidenciando os limites dessas alianças — em Alagoas, por exemplo, nomes relevantes da política estadual, entre eles Arthur Lira, não participaram do primeiro ato de Flávio no Nordeste.
Flávio chega, portanto, à reta decisiva da eleição tentando conciliar duas tarefas: manter mobilizado o eleitorado que sustentou Jair Bolsonaro e conquistar setores necessários para ampliar sua candidatura, especialmente mulheres, eleitores moderados e partidos de centro. Em uma eleição novamente polarizada, sua capacidade de ampliar a coalizão para além do núcleo bolsonarista tornou-se um dos principais testes de sua candidatura.
Assessoria/ Leonardo Rodrigues/Caminho Político
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