Como a inteligência artificial (IA) está mudando o mundo do trabalho
A inteligência artificial já começou a mudar regras e conceitos de algumas profissões, bem como novas maneiras de organização das empresas e suas atividades. Essas transformações deverão avançar, modificando algumas profissões, reduzindo algumas tarefas e criando novas oportunidades no mercado de trabalho.
As mudanças serão mais perceptíveis nas atividades que envolvem processamento de informações, produção de conteúdo e execução de procedimentos repetitivos. Isso não significa que todas essas profissões deixarão de existir, mas que muitos profissionais precisarão se adaptar a novas formas de trabalhar.
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apontou em 2026, que a adoção de IA pelas empresas de seus países-membros cresceu de aproximadamente 7% em 2021 para 20% em 2025. O relatório destaca que a IA pode aumentar a produtividade e complementar o trabalho humano, mas também ameaça atividades rotineiras e repetitivas.
No atendimento ao cliente, por exemplo, sistemas de inteligência artificial já conseguem responder perguntas frequentes, registrar reclamações e orientar consumidores, conhecidos como sistemas de Agente Virtual de Atendimento, Chatbot de Inteligência Artificial ou Assistente Virtual.
Com isso, empresas reduzem parte das operações tradicionais e direcionam os atendentes para situações mais complexas, em tarefas repetitivas, organizando informações, elaborando textos automáticos e produzindo relatórios.
Na área da contabilidade, ferramentas automatizadas (Robôs), podem organizar notas fiscais, conciliar pagamentos e preparar relatórios financeiros. O contador continuará sendo importante para interpretar os resultados, orientar empresas e verificar o cumprimento das obrigações legais, mas muitas tarefas já estão automatizadas.
No jornalismo, a IA pode transcrever entrevistas, resumir documentos e organizar grandes volumes de dados. Entretanto, entrevistar fontes, investigar denúncias, verificar informações e contextualizar acontecimentos continuarão exigindo apuração e responsabilidade profissional.
Na engenharia, na saúde e na gestão ambiental, a tecnologia poderá agilizar cálculos, análises e relatórios. Porém, a interpretação dos resultados, a atuação em campo e a responsabilidade técnica continuarão exigindo conhecimento especializado.
Ao mesmo tempo, áreas como inteligência artificial, segurança digital, análise de dados, energias renováveis e sustentabilidade poderão ampliar as oportunidades de trabalho. Esse crescimento, contudo, dependerá dos investimentos, das necessidades do mercado e da capacidade de formação dos profissionais.
Diante desse cenário, a capacitação será essencial. Aprender a utilizar ferramentas de IA, desenvolver habilidades digitais e compreender os limites dessas tecnologias são medidas importantes para manter a competitividade profissional.
Também será necessário fortalecer competências que não dependem apenas do domínio tecnológico, como comunicação, pensamento crítico, resolução de problemas e tomada de decisões. A experiência prática e o conhecimento específico de cada área poderão representar diferenciais importantes.
Empresas, universidades e instituições públicas terão papel relevante nesse processo, oferecendo cursos de atualização, programas de formação continuada e oportunidades de aprendizagem acessíveis a diferentes faixas etárias e níveis de escolaridade.
O principal desafio será acompanhar a velocidade das mudanças sem deixar trabalhadores para trás. A inteligência artificial poderá aumentar a produtividade, mas seus benefícios dependerão da forma como será utilizada e de como seus impactos serão administrados.
Mais do que competir com as máquinas, os profissionais precisarão aprender a trabalhar com elas. Preparação, atualização constante e capacidade de adaptação serão fundamentais para enfrentar as mudanças e aproveitar as oportunidades de um mercado de trabalho cada vez mais influenciado pela tecnologia.
A inteligência artificial já está alterando a forma como as pessoas trabalham e as competências exigidas pelo mercado. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado em maio de 2025, estima que uma em cada quatro pessoas empregadas no mundo atua em uma ocupação potencialmente exposta à inteligência artificial generativa.
Isso não significa que esses trabalhadores perderão seus empregos. A tendência identificada pela pesquisa é a transformação das atividades profissionais, com mudanças nas rotinas, nos processos e nas qualificações exigidas. Para os próximos anos, o desafio será entender quais funções passarão por maior transformação e como trabalhadores, empresas, governo e instituições de ensino poderão se preparar.
Widson Ovando é jornalista, bacharel em Ciência e Tecnologia (UFMT), graduado em gestão pública e pós-graduado em Ciências Políticas.