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As novas fake news sobre as urnas eletrônicas

Publicado em 02/10/2026 08:13
As novas fake news sobre as urnas eletrônicas

Publicações enganosas sobre fraude eleitoral associam o sistema brasileiro à empresa Smartmatic e à Venezuela, apesar de desmentidos da Justiça Eleitoral e da falta de provas de manipulação das urnas. As eleições voltaram a ser acompanhadas por uma onda de desinformação sobre as urnas eletrônicas. Embora a disseminação de notícias falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro tenha marcado o pleito de 2022, as narrativas não desapareceram e agora circulam em versões mais elaboradas, muitas delas envolvendo acusações sem provas relacionadas à Venezuela e aos Estados Unidos.
Os ataques ao sistema eleitoral ganharam força durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que defendia a adoção do voto impresso e questionava a confiabilidade das urnas eletrônicas. As declarações infundadas sobre o processo de votação contribuíram para a condenação do ex-mandatário pela Justiça Eleitoral, que o tornou inelegível.
Uma das versões mais recentes da desinformação tenta associar as eleições brasileiras à empresa Smartmatic, fornecedora de tecnologia eleitoral usada em outros países. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, usuários alegam que autoridades americanas teriam apresentado provas de que urnas ligadas à empresa seriam suscetíveis a fraudes e sugerem, sem evidências, que o mesmo ocorreria no Brasil.
As alegações exploram um relatório de inteligência dos Estados Unidos divulgado neste ano. O documento afirma que os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro demonstraram interesse em manipular resultados eleitorais por meio de sistemas eletrônicos de votação. As suspeitas incluíam possíveis conversas envolvendo a Smartmatic sobre formas de interferência no processo eleitoral venezuelano.
No entanto, o próprio relatório não concluiu que houve fraude eleitoral em larga escala. Segundo a inteligência americana, outros fatores explicavam melhor os resultados observados nas eleições venezuelanas.
No Brasil, a Justiça Eleitoral afirma que nunca utilizou urnas ou softwares desenvolvidos ou operados pela Smartmatic. O órgão esclarece que a empresa apenas prestou serviços de comunicação de dados e voz em eleições anteriores, sem participação no desenvolvimento ou na operação das urnas eletrônicas brasileiras.
Flávio Bolsonaro replica fake news sobre urnas
Apesar disso, a informação enganosa continuou a viralizar. Em julho, o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, afirmou que muitas das máquinas usadas nas eleições brasileiras teriam a mesma origem da empresa venezuelana citada nas denúncias. O parlamentar não apresentou fontes para sustentar a alegação. Posteriormente, afirmou, em nota, que não havia questionado a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
Essa não é a única falsidade que tem circulado sobre as urnas. Nos últimos meses, veículos de imprensa e autoridades eleitorais desmentiram alegações de que hackers teriam invadido equipamentos de votação, de que a programação das máquinas teria sido alterada, de que existiriam candidatos "secretos" desbloqueáveis ou até de que ferramentas de inteligência artificial poderiam modificar votos registrados.
Embora apresentem versões diferentes dos fatos, essas publicações compartilham um objetivo comum: semear dúvidas sobre a segurança e a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro sem apresentar evidências que sustentem as acusações.
Décadas de uso sem fraudes
Especialistas alertam que esse tipo de desinformação pode abrir espaço para questionamentos infundados sobre resultados eleitorais e para tentativas de deslegitimar a vontade expressa pela maioria dos eleitores nas urnas.
Em resposta ao avanço das notícias falsas, a Justiça Eleitoral intensificou ações de transparência. Neste ano, o órgão desmontou uma urna eletrônica em transmissão nacional para explicar o funcionamento do equipamento e detalhar suas camadas de segurança. Segundo as autoridades, a iniciativa teve como objetivo combater a desinformação e aproximar os eleitores do processo democrático.
Considerado referência internacional em votação eletrônica, o sistema brasileiro acumula décadas de uso sem registro de fraude comprovada capaz de alterar resultados eleitorais.
Assessoria/Caminho Político
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