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Esquerda unida é sinônimo de vitória? Por Emir Sader

Publicado em 10/08/2026 05:46
Esquerda unida é sinônimo de vitória? Por Emir Sader

A unidade da esquerda é um elemento de força na disputa presidencial deste ano. Pela primeira vez, em muito tempo, todas as correntes da esquerda estão unidas em torno da candidatura do Lula à reeleição. Enquanto a direita se apresenta dividida.
É um cenário de vitória da esquerda? Deveria ser, se considerarmos que a esquerda é maioria no país. Ou que, pelo menos, a esquerda, representando as camadas populares, majoritárias na nossa população, deveria ser maioria.
Mas não é dessa forma aritmética que se resolvem as disputas. Uma força vencedora é uma força hegemônica, isto é, aquela cujas visões se tornam predominantes na sociedade.
No caso atual do Brasil, a força da esquerda, que permite sua unidade, se dá a partir da adoção de um programa de governo antineoliberal. Este tem a capacidade abrangente de atender os interesses das grandes massas da sociedade. Não apenas de responder às suas necessidades, mas de desenvolver um discurso em que a maioria da sociedade se sinta representada. Não se trata, portanto, apenas de uma questão econômica e social, mas também ideológica.
De uma concepção particular, que se torna uma concepção geral.
A unidade da esquerda não basta, mas ela é condição de vitória. As divisões não apenas enfraquecem a esquerda, como dividem seus componentes, introduzindo interesses diferenciados, às vezes até mesmo contraditórios, no campo popular.
A aceitação de uma visão unificadora de toda a esquerda representa a força de uma concepção abrangente, que capta todas as preocupações e perspectivas de todas as correntes que compõem o campo da esquerda.
Quando algumas correntes com traços liberais estão presentes no campo majoritário, a questão do Estado costuma introduzir visões diferenciadas no interior do mesmo campo. Para alguns setores, o fortalecimento do Estado é condição da capacidade deste de realizar políticas sociais e econômicas indispensáveis, enquanto setores influenciados pelo liberalismo tendem a propor um Estado mínimo.
A visão hegemônica hoje compreende uma concepção da economia, do Estado, das relações sociais, centrada na esfera pública. É ela que unifica a esquerda e torna possível sua vitória.
Mas é necessário não subestimar a presença e a liderança do Lula, por tudo o que tem representado e continua a representar para o Brasil. E não apenas sua trajetória, mas também seu discurso atual, muito articulado, capaz de chegar a distintos setores da população, por sua linguagem e por suas propostas.
Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum, o Caminho Político e do Debate Político.
Assessoria/Ivan Longo/Caminho Político
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